UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA
CAMPUS Recife
EDUCAÇÃO E COTIDIANO ESCOLAR
O Fenômeno Bullying nas Escolas
RECIFE / 2010.
CLÉVIA GUSMÃO
EVA VIEIRA
GEISA LOPES
KAYSLAYME ANACLETO
SHEILA VASCONCELOS
SINARA OLIVEIRA
VANESSA RODRIGUES
EDUCAÇÃO E COTIDIANO ESCOLAR
O Fenômeno Bullying nas Escolas
Trabalho de pesquisa apresentado à Universidade Salgado de Oliveira tendo como orientadora a Professora Tânia Maria referente à exigência de VT.
RECIFE / 2010
Apresentação
Este trabalho caracteriza-se como um instrumento de esclarecimento sobre a violência nas escolas denominada como bullying. Sua estrutura foi fundamentada em pesquisas, observações e atuações em sala de aula, durante período de observação de estágio, que detectaram essa problemática que constantemente assombra alunos e professores, e dificultam a socialização e o rendimento escolar de muitas crianças, adolescentes e jovens, elevando o índice de repetência e abandono dos estudos.
Nessa perspectiva, pretende contribuir no esclarecimento e informação teórica dos fatores que causam e motivam essa violência disfarçada, que infelizmente não é novidade, em seu cotidiano e nas várias sociedades e culturas, e a cada momento histórico, é retratado de maneira diferente.
Sugere-se a leitura deste material, colabora para melhor compreensão e entendimento a respeito do bullying nas escolas, servindo como uma fonte a mais de pesquisa sobre este fenômeno incentivando a melhoria na integração e convívio social, o que favorece à qualidade do ensino-aprendizagem.
Justificativa
Quando falamos sobre violência nas escolas, logo pensamos em vandalismo, pichação, agressões e rixas entre professores e alunos. No entanto, esquecemos de que nossas escolas convivem com uma violência mais perversa, e muitas vezes, ignorada, pela falta de conhecimento de pais e professores.
O fenômeno bullying ou cyberbullying (FANTE, 2005) que atualmente, é muito presenciado nas relações interpessoais, pode ser definido como “um conjunto de atitudes agressivas, repetitivas e intencionais feitas por um ou mais alunos – grupos – gang, contra outro, tornando o agredido angustiado, triste, isolado dos demais, sem motivação para estudar” (FANTE, 2005). Assim, por considerar importante e pertinente discutir melhor esta temática, decidiu-se pesquisá-la melhor, e isto, nos impulsionou a escolhê-la como tema na Verificação de Trabalho (VT).
Por ser um assunto polêmico e atual, está cada vez mais presentes no dia a dia de quem lida com crianças, adolescentes e jovens, tanto em escolas públicas quanto em privadas. Nessa perspectiva, o objetivo geral, dessa pesquisa, é promover a conscientização sobre a importância do respeito mutuo, nas relações interpessoais, estimulando a prática da solidariedade embasada na moral e ética de condutas. Espera-se também esclarecer questões relacionadas aos comportamentos e forma de agir dos praticantes ativos e passivos do bullying e dos que sofrem tais agressões.
O Fenômeno Bullying nas Escolas
Bullying é uma palavra de origem inglesa, podendo ser compreendida como um desejo deliberado conscientemente de querer maltratar, fazer sofrer, ou o ato covarde de molestar, humilhar por meio da colocação de apelidos, ameaças, agressões físicas e verbais (DUARTE, 2006) É também considerado como Bullying, as famosas “brincadeirinhas” que constrangem e isolam o indivíduo em seu convívio natural e espontâneo. Nesse sentido, seja na escola ou em qualquer outro lugar, nos quais o sujeito estabeleça relações interpessoais, é caracterizada pela intensidade de sua repetição e o desequilíbrio de poder “bully” (que significa “valentão”) tornando possível coagir os outros através do medo.
Por ser um problema mundial, pode ocorrer em qualquer escola, independentemente, de condições sócio-econômicas ou de raça, cor, etnia etc. Percebe-se que os comportamentos agressivos tem se expandido nas escolas tornam-se motivo de preocupação e investigação de muitos pais e educadores.
Especialistas (FANTE, 2005) afirmam que a problemática, geralmente, tem origem em casa com os familiares, sendo um comportamento reflexo atitudinal da carência afetiva. Nesse sentido, a forma como é imposto o poder e a autoridade parental, através de: maus tratos físicos, pornofonias, ausência de limites e a superproteção, bem como, a falta de dialogo e respeito entre pais e filhos podem encandear-se e levar crianças, adolescentes ou jovens a estes comportamentos anti-sociais, provocando em quem o apresenta pouca empatia, comportamentos explosivos, e até atitudes delinquentes e criminosas, como se percebe em autores do bullying. Portanto,
Em nossos estudos constatamos que 80% daqueles classificados como “agressores”, atribuíram como causa principal do seu comportamento, a necessidade de reproduzir contra outros os maus-tratos sofridos em casa ou na escola. Em decorrência desse dado extremamente relevante, nos motivamos em pesquisas e estudos, que nos possibilitou identificar a existência de uma doença psicossocial expansiva, desencadeadora de um conjunto de sinais e sintomas, à qual denominamos SMAR - Síndrome de Maus-tratos Repetitivos. (FANTE, 2005, p224).
Quando Fante (2005) se refere a 80% de “agressores” que tem a Síndrome de Maus-Tratos Repetitivos (SMAR) ela primeiro classifica os papéis sociais dos protagonistas do bullying como ‘vitima típica’ ou ‘alvo de bullying’, que seriam os que constantemente sofrem ataques, ameaças; ‘vítima provocadora’, é aquela que provoca determinadas reações contra as quais não possui forças suficientes para lidar; ‘vitima agressora’ ou ‘alvos – autores de bullying’, dá mesma maneira que recebem praticam contra outra pessoa reproduzindo a tortura; ‘agressor’ ou ‘atores do bullying’, só praticam e tem como vitimas os mais fracos; e o ‘espectador’ ou ‘testemunha de bullying’, aquele que assiste os maus-tratos, mas não o sofre diretamente e nem o pratica, porém está e convive no ambiente onde isso acontece.
Os alvos desse crime de desamor são pessoas que não dispõem de recursos, habilidades e status para reagir ou se proteger das rixas, brincadeirinhas, perseguições, ameaças, gozações, roubos e até agressões corporais. Eles têm baixa auto-estima, são inseguros, o que geralmente os impede de pedir ajuda, sendo que a maioria deles são, “pouco sociáveis”, tem poucos amigos, são quietos e passivos e não reagem aos atos de agressividade sofridos. Alguns pensam que merecem todo esse sofrimento, passando a ter baixo rendimento escolar, a não querer ir à escola, chegando até inventar doenças para faltar a aula ou chegam a abandonar os estudos, há ainda crianças e jovens que entram em depressão e tentam suicídio, cometendo na maioria das vezes. Essas são muitas das maneiras como os alunos se envolvem com o bullying.
Os espectadores do bullying tornam-se por muitas vezes cúmplices, representado pela maioria dos alunos, que conhecem e convivem diariamente com a violência, e pelo medo de ser a próxima vitima, eles se calam. No entanto, eles não sofrem com as agressões do bullying, mas sentem-se amedrontados e inseguros podendo influenciar negativamente outros que estão a sua volta (FANTE, 2005)
No ambiente escolar deve haver intervenções eficazes contra essa violência disfarçada que é o bullying, pois se não houver atitudes preventivas dessa situação, toda a escola pode ser contaminada causando traumas psicológicos de difícil tratamento (a posteriori), pela sua não superação, que pode deixar seqüelas profundas marcando a história de vida de crianças e jovens.
Em pesquisas realizadas por Duarte (2006) na cidade do Recife, observou-se que alguns dos fatores que estimulam e permeiam a violência nas escolas seriam os altos índices de pobreza, miserabilidade, desamparo político- social, bem como, influências culturais. Percebe-se que, que esses fatores não podem facilmente ser modificados, pois estão relacionados ao contexto político-social. Porém, é necessário que a escola não se isente da responsabilidade em tratar de tais questões, já que é uma instituição voltada à formação integral dos alunos, e entre os aspectos formativos pertinentes à ação didática, está à questão do bullying. Assim, não se pode deixar de esclarecer e tratar dessa temática, alertando para as implicações afetivo-sociais dessa violência que, aparentemente, parece não existir por estar mascarada por “brincadeirinha” de mau gosto.
Nessa perspectiva, apesar de ser considerado um tema bastante recorrente, muitos professores desconhecem os prejuízos educacionais que o bullying acarreta na vida escolar. Por isso, o professor deve estar atento e bem informado, sobre esta questão, não se limitando a escutar relatos superficiais deste assunto, sem buscar um contexto mais específico do entendimento sobre seu surgimento. Sabe-se que, do Ensino Infantil à Formação Superior o bullying pode estar presente no meio escolar. Assim, tanto a família quanto a escola, devem conhecer profundamente este fenômeno e buscar compartilhar, através de diálogo e ações educativas eficazes, uma abordagem pertinente para lidar com esta questão.
Em relação ao trato escolar do bullying, os planejamentos devem ser adaptados à necessidade e realidade da escola, servindo como prevenção e abolição dessa violência que deixa marcas profundas nas pessoas que a ela são submetidas. A abordagem didático-pedagógica bem orientada, no sentido de trabalhar os sentimentos e relacionamentos humanos, evidenciando-se a educação emocional dos alunos e professores, no sentido de respeitar as diferenças, valorizar a solidariedade e a amizade, devem fazer parte do currículo escolar, a fim de serem cultivados e destacarem a importância de se conhecer o outro, ser solidários, valorizando o diálogo e a interação na realização de atividades pedagógicas em grupos, podem ser de grande auxílio no trato dessa questão. Dessa forma, essas estratégias podem apaziguar e diminuir a incidência de brigas, o surgimento de apelidos maldosos, as agressões e etc, sendo que a escola deve buscar também, inserir normas ou regras de condutas construídas coletivamente com alunos, comunidade, pais e professores para evitar o surgimento de casos, e até mesmo punir de forma educativa os autores do bullying.
Considerações Finais
Através dessa pesquisa, buscou-se destacar a importância de um trabalho docente escolar que vise evitar o surgimento do bullying, através da valorização das relações interpessoais que se estabelecem, e que, é fundamental para o desenvolvimento humano, em seus aspectos: psicológico, social, e afetivo.
Seu contexto de discussão busca destacar também a importância da sensibilização de alunos, professores e pais, para esta questão, no sentido de modificarem seus olhar, tendo em vista, uma atuação mais cautelosa e critica em seu trato, a fim de distinguir, perceber e conhecer pessoas que fazem parte de seu convívio social, sabendo lidar e intervir, de maneira adequada, nas diferentes situações nas quais este fenômeno pode surgir. Nesse sentido, a sensibilidade que levou o grupo a conhecer mais a fundo esse tema, deve ser ampliada, na perspectiva de levar esse conhecimento, a outras pessoas, para que possam identificar ou ajudar outras, que sofreram ou sofrem, com essa violência ou mesmo quem a provoca.
Referências Bibliográficas
DUARTE, Renato. Efeitos da violência sobre o aprendizado nas escolas públicas da cidade do Recife. Recife: Fundação Joaquim Nabuco, 2006.
FANTE, Cléo Aparecida Zonato. Fenômeno bullying: como prevenir a violência nas escolas e educar para a paz. Campinas: Versus, 2005.
Sheilinha muito bom! vc é 10!
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